Leia o soneto “Tortura”, da poeta portuguesa Florbela Espanca (1894-1930).
Tirar dentro do peito a Emoção,A lúcida Verdade, o Sentimento!— E ser, depois de vir do coração,Um punhado de cinza esparso ao vento!...Sonhar um verso de alto pensamento,E puro como um ritmo de oração!— E ser, depois de vir do coração,O pó, o nada, o sonho dum momento...São assim ocos, rudes, os meus versos:Rimas perdidas, vendavais dispersos,Com que eu iludo os outros, com que minto!Quem me dera encontrar o verso puro,O verso altivo e forte, estranho e duro,Que dissesse, a chorar, isto que sinto!!
(Florbela Espanca. Sonetos, 2025.)
Depreende-se do soneto que o ideal estético do eu lírico
norteia-se pelo seguinte critério:
a) beleza.
b) sinceridade.
c) compreensibilidade.
d) erudição.
e) originalidade.
Em Tortura, a chave de ouro, isto é, o último verso
do soneto, indica o tema que já vinha também sendo
abordado: a consecução de um poema em que
houvesse a expressão chorosa e sincera do que se
sente.
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