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(ENEM 2018) - QUESTÃO

– Famigerado? [ ... ]
– Famigerado é “inóxio”, é “célebre”, “notório”,
“notável” ...
– Vosmecê mal não veja em minha grossaria no não
entender. Mais me diga: é desaforado? É caçoável? É de
arrenegar? Farsância? Nome de ofensa?
– Vilta nenhuma, nenhum doesto. São expressões
neutras, de outros usos ...
– Pois ... e o que é que é, em fala de pobre, linguagem
de em dia de semana?
– Famigerado? Bem. É: “importante”, que merece
louvor, respeito ...
ROSA, G. Famigerado. In: Primeiras estórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.

Nesse texto, a associação de vocábulos da língua portuguesa a determinados dias da semana remete ao 
a) local de origem dos interlocutores. 
b) estado emocional dos interlocutores. 
c) grau de coloquialidade da comunicação. 
d) nível de intimidade entre os interlocutores. 
e) conhecimento compartilhado na comunicação. 

(ENEM 2018) - QUESTÃO

Deficientes visuais já podem ir a algumas salas de
cinema e teatros para curtir, em maior intensidade, as
atrações em cartaz. Quem ajuda na tarefa é o aplicativo
Whatscine, recém-chegado ao Brasil e disponível para os
sistemas operacionais iOS (Apple) ou Android (Google).
Ao ser conectado à rede wi-fi de cinemas e teatros, o app
sincroniza um áudio que descreve o que ocorre na tela ou
no palco com o espetáculo em andamento: o usuário,
então, pode ouvir a narração em seu celular.
O programa foi desenvolvido por pesquisadores da
Universidade Carlos III, em Madri. “Na Espanha, 200
salas de cinema já oferecem o recurso e filmes de grandes
estúdios já são exibidos com o recurso do Whatscine!”,
diz o brasileiro Luis Mauch, que trouxe a tecnologia para
o país. “No Brasil, já fechamos parceria com a São Paulo
Companhia de Dança para adaptar os espetáculos deles!
Isso já é um avanço. Concorda?”

Disponível em: http://veja.abril.com.br. Acesso em 25 jun. 2014 (adaptado).

Por ser múltipla e apresentar peculiaridades de acordo com a intenção do emissor, a linguagem apresenta funções diferentes. Nesse fragmento, predomina a função referencial da linguagem, porque há a presença de elementos que 
a) buscam convencer o leitor, incitando o uso do aplicativo. 
b) definem o aplicativo, revelando o ponto de vista da autora. 
c) evidenciam a subjetividade, explorando a entonação emotiva. 
d) expõem dados sobre o aplicativo, usando linguagem denotativa. 
e) objetivam manter um diálogo com o leitor, recorrendo a uma indagação. 

(ENEM 2018) - QUESTÃO

Certa vez minha mãe surrou-me com uma corda nodosa que me pintou as costas de manchas sangrentas. Moído, virando a cabeça com dificuldade, eu distinguia nas costelas grandes lanhos vermelhos. Deitaram-me, enrolaram-me em panos molhados com água de sal – e houve uma discussão na família. Minha avó, que nos visitava, condenou o procedimento da filha e esta afligiu-se. Irritada, ferira-me à toa, sem querer. Não guardei ódio a minha mãe: o culpado era o nó.

RAMOS, G. Infância. Rio de Janeiro: Record, 1998.

Num texto narrativo, a sequência dos fatos contribui para a progressão temática. No fragmento, esse processo é indicado pela 
a) a alternância das pessoas do discurso que determinam o foco narrativo. 
b) utilização de formas verbais que marcam tempos narrativos variados. 
c) indeterminação dos sujeitos de ações que caracterizam os eventos narrados. 
d) justaposição de frases que relacionam semanticamente os acontecimentos narrados. 
e) recorrência de expressões adverbiais que organizam temporalmente a narrativa.   

(ENEM 2018) - QUESTÃO

A Casa de Vidro
Houve protestos.
Deram uma bola a cada criança e tempo para brincar.
Elas aprenderam malabarismos incríveis e algumas viajavam pelo mundo exibindo sua alegre habilidade.
(O problema é que muitos, a maioria, não tinham jeito e eram feios de noite, assustadores. Seria melhor prender essa gente – havia quem dissesse.)
Houve protestos.
Aumentaram o preço da carne, liberaram os preços dos cereais e abriram crédito a juros baixos para o
agricultor. O dinheiro que sobrasse, bem, digamos, ora o dinheiro que sobrasse!
Houve protestos.
Diminuíram os salários (infelizmente aumentou o número de assaltos) porque precisamos combater a
inflação e, como se sabe, quando os salários estão acima do índice de produtividade eles se tornam altamente inflacionários, de modo que.
Houve protestos.
Proibiram os protestos.
E no lugar dos protestos nasceu o ódio. Então surgiu a Casa de Vidro, para acabar com aquele ódio.

ÂNGELO, I. A casa de vidro. São Paulo: Círculo do Livro. 1985.

Publicado em 1979, o texto compartilha com outras obras da literatura brasileira escritas no período as marcas do contexto em que foi produzido, como a:
a) referência à censura e à opressão para alegorizar a falta de liberdade de expressão característica da época. 
b) valorização de situações do cotidiano para atenuar os sentimentos de revolta em relação ao governo instituído. 
c) utilização de metáforas e ironias para expressar um olhar crítico em relação à situação social e política do país. 
d) tendência realista para documentar com verossimilhança o drama da população brasileira durante o Regime Militar. 
e) sobreposição das manifestações populares pelo discurso oficial para destacar o autoritarismo do momento histórico.

(ENEM 2018) - QUESTÃO

O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa era a imagem de um vidro mole que fazia uma volta atrás de casa.
Passou um homem e disse: Essa volta que o rio faz por trás de sua casa se chama enseada.
Não era mais a imagem de uma cobra de vidro que fazia uma volta atrás de casa.
Era uma enseada.
Acho que o nome empobreceu a imagem.
BARROS. M. O livro das ignorãças.
Rio de Janeiro; Best Seller. 2008.

O sujeito poético questiona o uso do vocábulo “enseada” porque a
a) terminologia mencionada é incorreta.
b) nomeação minimiza a percepção subjetiva.
c) palavra é aplicada a outro espaço geográfico.
d) designação atribuída ao termo é desconhecida.
e) definição modifica o significado do termo no dicionário.


(ENEM 2018) - QUESTÃO

o que será que ela quer
essa mulher de vermelho
alguma coisa ela quer
pra ter posto esse vestido
não pode ser apenas
uma escolha casual
podia ser um amarelo
verde ou talvez azul
mas ela escolheu vermelho
ela sabe o que ela quer
e ela escolheu vestido
e ela é uma mulher
então com base nesses fatos
eu já posso afirmar
que conheço o seu desejo
caro watson, elementar:
o que ela quer sou euzinho
sou euzinho o que ela quer
só pode ser euzinho
o que mais podia ser
FREITAS, A. Um útero é do tamanho de um punho. São Paulo: Cosac Naify, 2013.

No processo de elaboração do poema, a autora confere ao eu lírico uma identidade que aqui representa a 
a) hipocrisia do discurso alicerçado sobre o senso comum. 
b) mudança de paradigmas de imagem atribuídos à mulher. 
c) tentativa de estabelecer preceitos da psicologia feminina. 
d) importância da correlação entre ações e efeitos causados. 
e) valorização da sensibilidade como característica de gênero.

(ENEM 2018) - QUESTÃO

A história do futebol é uma triste viagem do prazer ao dever. [ ... ] O jogo se transformou em espetáculo, com poucos protagonistas e muitos espectadores, futebol para olhar, e o espetáculo se transformou num dos negócios mais lucrativos do mundo, que não é organizado para ser jogado, mas para impedir que se jogue. A tecnocracia do esporte profissional foi impondo um futebol de pura velocidade e muita força, que renuncia à alegria, atrofia a fantasia e proíbe a ousadia. Por sorte ainda aparece nos campos, [ ... ] algum atrevido que sai do roteiro e comete o disparate de driblar o time adversário inteirinho, além do juiz e do público das arquibancadas, pelo puro prazer do corpo que se lança na proibida aventura da liberdade. 

GALEANO, E. Futebol ao sol e à sombra. Porto Alegre: L&PM Pockets, 1995 (adaptado).

O texto indica que as mudanças nas práticas corporais, especificamente no futebol, 
a) fomentaram uma tecnocracia, promovendo uma vivência mais lúdica e irreverente. 
b) promoveram o surgimento de atletas mais habilidosos, para que fossem inovadores. 
c) incentivaram a associação dessa manifestação à fruição, favorecendo o improviso. 
d) tornaram a modalidade em um produto a ser consumido, negando sua dimensão criativa. 
e) contribuíram para esse esporte ter mais jogadores, bem como acompanhado de torcedores.  

(ENEM 2018) - QUESTÃO

O trabalho não era penoso: colar rótulos, meter vidros em caixas, etiquetá-las, selá-las, envolvé-las em papel celofane, branco, verde, azul, conforme o produto, separá-las em dúzias... Era fastidioso. Para passar mais rapidamente as oito horas havia o remédio: conversar. Era proibido, mas quem ia atrás de proibições? O patrão vinha? Vinha o encarregado do serviço? Calavam o bico, aplicavam-se ao trabalho. Mal viravam as costas, voltavam a taramelar. As mãos não paravam, as línguas não paravam. Nessas conversas intermináveis, de linguagem solta e assuntos crus, Leniza se completou. Isabela, Afonsina, Idália, Jurete, Deolinda – foram mestras. O mundo acabou de se desvendar. Leniza perdeu o tom ingênuo que ainda podia ter. Ganhou um jogar de corpo que convida, um quebrar de olhos que promete tudo, à toa, gratuitamente. Modificou-se o timbre de sua voz. Ficou mais quente. A própria inteligência se transformou. Tornou-se mais aguda, mais trepidamente. 

(REBELO. M. A estrela sobe. Rio de Janeiro: José Olympio, 2009.)

O romance, de 1939, trazer à cena tipos e situações que espelham o Rio de Janeiro daquela década. No fragmento. o narrador delineia esse contexto centrado no 
a) julgamento da mulher fora do espaço doméstico. 
b) relato sobre as condições de trabalho no Estado Novo. 
c) destaque a grupos populares na condição de protagonistas. 
d) processo de inclusão do palavrão nos hábitos de linguagem. 
e) vínculo entre as transformações urbanas e os papéis femininos. 

(ENEM 2018) - QUESTÃO

Ó Pátria amada.
Idolatrada,
Salve! Salve!
Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro dessa flâmula
— “Paz no futuro e glória no passado.”
Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.
Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada, Brasil!
Hino Nacional do Brasil. Letra: Joaquim Osório Duque Estrada.
Música: Francisco Manuel da Silva (fragmento). 

O uso da norma-padrão na letra do Hino Nacional do Brasil é justificado por tratar-se de um(a)
a) reverência de um povo a seu país.
b) gênero solene de característica protocolar.
c) canção concebida sem interferência da oralidade.
d) escrita de uma fase mais antiga da língua portuguesa.
e) artefato cultural respeitado por todo o povo brasileiro.


(ENEM) - QUESTÃO

No ano passado, o governo promoveu uma campanha a fim de reduzir os índices de violência. Noticiando o fato, um jornal publicou a seguinte manchete: 

CAMPANHA CONTRA A VIOLÊNCIA DO GOVERNO DO ESTADO ENTRA EM NOVA FASE 

A manchete tem um duplo sentido, e isso dificulta o entendimento. Considerando o objetivo da notícia, esse problema poderia ter sido evitado com a seguinte redação: 

a) Campanha contra o governo do Estado e a violência entram em nova fase. 
b) A violência do governo do Estado entra em nova fase de Campanha. 
c) Campanha contra o governo do Estado entra em nova fase de violência. 
d) A violência da campanha do governo do Estado entra em nova fase. 
e) Campanha do governo do Estado contra a violência entra em nova fase.

                                                                                                                             Resposta: E

(ENEM) - QUESTÃO

O mundo é grande
O mundo é grande e cabe
Nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
Na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
No breve espaço de beijar. ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1983

Neste poema, o poeta realizou uma opção estilística: a reiteração de determinadas construções e expressões linguísticas, como o uso da mesma conjunção para estabelecer a relação entre as frases. Essa conjunção estabelece, entre as idéias relacionadas, um sentido de 

a) oposição. 
b) comparação. 
c) conclusão. 
d) alternância. 
e) finalidade.

                                                                                                                             Resposta: A