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(FAMERP 2026) - QUESTÃO

Leia o soneto “Tortura”, da poeta portuguesa Florbela Espanca (1894-1930).

Tirar dentro do peito a Emoção,
A lúcida Verdade, o Sentimento!
— E ser, depois de vir do coração,
Um punhado de cinza esparso ao vento!...

Sonhar um verso de alto pensamento,
E puro como um ritmo de oração!
— E ser, depois de vir do coração,
O pó, o nada, o sonho dum momento...

São assim ocos, rudes, os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu iludo os outros, com que minto!

Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isto que sinto!!

(Florbela Espanca. Sonetos, 2025.)

Depreende-se do soneto que o ideal estético do eu lírico norteia-se pelo seguinte critério: 
a) beleza. 
b) sinceridade. 
c) compreensibilidade. 
d) erudição. 
e) originalidade.

(SANTA CASA) - QUESTÃO

Leia o poema de Claudio Manuel da Costa 

Pastores, que levais ao monte o gado,
Vede lá como andais por essa serra,
Que para dar contágio a toda a terra
Basta ver-se o meu rosto magoado:

Eu ando (vós me vedes) tão pesado,
E a Pastora infiel, que me faz guerra,
É a mesma que em seu semblante encerra
A causa de um martírio tão cansado.

Se a quereis conhecer, vinde comigo,
Vereis a formosura, que eu adoro;
Mas, não; tanto não sou vosso inimigo:

Deixai, não a vejais, eu vo-lo imploro;
Que se seguir quiserdes o que eu sigo,
Chorareis, ó Pastores, o que eu choro.
(Domício Proença Filho (org.). Roteiro da poesia brasileira, 2006.)

O uso da palavra “inimigo” (3ª estrofe) é explicado pelo fato de que o eu lírico 
a) ameaça os Pastores, informando que passará à posição de adversário daquele que se aproximar da Pastora. 
b) reconhece que teria sido imprudente se não alertasse os Pastores sobre o perigo de se aproximarem da Pastora. 
c) conclui que não é muito amigo aquele que se afasta de seu grupo pelo amor de uma mulher. 
d) admite que, ao contrário do que desejava, não tinha com a Pastora uma relação ideal. 
e) decide se libertar da relação amorosa, afastando-se da mulher que antes amava.

(UNIFESP - 2017) - QUESTÃO

Leia o soneto “A uma dama dormindo junto a uma fonte”, do poeta barroco Gregório de Matos (1636-1696)

À margem de uma fonte, que corria,
Lira doce dos pássaros cantores
A bela ocasião das minhas dores
Dormindo estava ao despertar do dia.

Mas como dorme Sílvia, não vestia
O céu seus horizontes de mil cores;
Dominava o silêncio entre as flores,
Calava o mar, e rio não se ouvia.

Não dão o parabém à nova Aurora
Flores canoras, pássaros fragrantes,
Nem seu âmbar respira a rica Flora.

Porém abrindo Sílvia os dois diamantes,
Tudo a Sílvia festeja, tudo adora
Aves cheirosas, flores ressonantes.
(Poemas escolhidos, 2010.)

No soneto, a seguinte expressão é empregada pelo eu lírico em lugar de sua musa Sílvia: 

A) “Flores canoras, pássaros fragrantes”. 
B) “À margem de uma fonte, que corria”. 
C) “O céu seus horizontes de mil cores”. 
D) “A bela ocasião das minhas dores”. 
E) “Aves cheirosas, flores ressonantes”.

---------------------------------------------------------------------------------- RESPOSTA: D