Tirar dentro do peito a Emoção,A lúcida Verdade, o Sentimento!— E ser, depois de vir do coração,Um punhado de cinza esparso ao vento!...Sonhar um verso de alto pensamento,E puro como um ritmo de oração!— E ser, depois de vir do coração,O pó, o nada, o sonho dum momento...São assim ocos, rudes, os meus versos:Rimas perdidas, vendavais dispersos,Com que eu iludo os outros, com que minto!Quem me dera encontrar o verso puro,O verso altivo e forte, estranho e duro,Que dissesse, a chorar, isto que sinto!!
(FAMERP 2026) - QUESTÃO
(MACKENZIE 2023) - QUESTÃO
Foi no mar de um cuidadoMeu coração pescado;Anzóis, os olhos belos;São linhas teus cabelosCom solta gentileza,Cupido, pescador; isca, a beleza.
(MACKENZIE 2023) - QUESTÃO
Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentisCom cabellos mui pretos pelas espadoasE suas vergonhas tão altas e tão saradinhasQue de nós as muito bem olharmosNão tínhamos nenhuma vergonha
(ALBERT EINSTEIN 2023) - QUESTÃO
Há mulheres que dizem:Meu marido, se quiser pescar, pesque,mas que limpe os peixes.Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,de vez em quando os cotovelos se esbarram,ele fala coisas como ‘este foi difícil’‘prateou no ar dando rabanadas’e faz o gesto com a mão.O silêncio de quando nos vimos a primeira vezatravessa a cozinha como um rio profundo.Por fim, os peixes na travessa,vamos dormir.Coisas prateadas espocam:somos noivo e noiva.
(UNESP 2021) - QUESTÃO
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
a) a ausência, uma vez incorporada, torna-se parte constitutiva do eu lírico.
b) a ausência, convertida em falta, passa a suprir uma carência do eu lírico.
c) a falta e a ausência, convertidas em instâncias internas, aliviam a solidão do eu lírico.
d) a falta e a ausência, uma vez personificadas, tornam-se companheiras do eu lírico.
e) a falta, uma vez convertida em ausência, passa a ser verbalizada pelo eu lírico.
(FMABC) - QUESTÃO
Leia o trecho do livro O fim da Terra e do Céu, de Marcelo Gleiser
Durante toda a história da humanidade, a passagem do tempo sempre foi vista com um misto de fascínio e terror. Como todos os seres vivos, nós nascemos, atingimos a maturidade, procriamos e morremos. Mas, aparentemente, apenas nós temos consciência de nossa mortalidade. Essa consciência é uma bênção e uma maldição. Na tentativa de produzir um legado que, esperamos, sobreviva à nossa curta vida, nós criamos obras de arte e teorias, temos filhos e ajudamos aqueles que sofrem necessidades. No entanto, indiferente às nossas criações e paixões, a morte continua a causar desespero, lágrimas e gritos contra a injustiça, comprovando nossa derrota final diante da onipotência da Natureza em criar e destruir. Para aliviar o medo da morte e a dor de perder uma pessoa amada, as religiões do Leste e do Oeste transformaram o fim da vida em um evento que vai muito além da mera incapacidade de um corpo continuar a funcionar. Algumas designam a vida e a morte como etapas igualmente importantes de um eterno ciclo de existência, enquanto outras prometem a vida eterna no Paraíso para aqueles que seguirem seus preceitos. (O fim da Terra e do Céu, 2011.)
a) a história da humanidade é a história da progressiva submissão da Natureza à vontade humana.
b) a percepção da própria finitude parece ser algo que caracteriza os seres humanos frente aos demais seres vivos.
c) a vontade desesperada de transcender a própria finitude constitui o principal legado humano.
d) a consciência de que o legado dos seres humanos está destinado à destruição parece ser a principal fonte do sofrimento humano.
e) a morte constitui um evento que não se restringe à mera incapacidade física de um corpo.
(ALBERT EINSTEIN) - QUESTÃO
Quando o dr. Café foi nomeado diretor do Serviço de Construção de Albergues e Hospedarias, anunciou aos quatro ventos que não atenderia a pistolões.
Sabe toda a gente em que consiste o pistolão ou o cartucho. É uma carta ou cartão de pessoa influente, de amigo ou amiga, de chefão político que faz as altas autoridades torcerem a justiça e o direito.
Café tinha anunciado que não atenderia absolutamente aos tais “cartuchos”; que ia decidir por si todos os casos e questões.
Firme em tal propósito, ele se trancara no gabinete e lia os regulamentos que inteiramente desconhecia, sobretudo os da sua repartição.
Naquele dia, o doutor teve notícia de que um moço o
procurava.
Deu ordem a um contínuo que o fizesse entrar.
— Que deseja?
— Vossa excelência há de perdoar-me o incômodo. Eu desejava ser nomeado porteiro do albergue da ilha do Governador.
— Há albergue lá?
— Há sim, senhor.
Café pensou um tempo e disse com rapidez:
— Não conheço bem o senhor. Quem me garante a sua idoneidade para o cargo?
— Vossa excelência disse que não admitia empenhos...
— É verdade...
— Mas saberá vossa excelência que eu...
— É, é... O senhor deve fazer-se recomendar.
— Tenho mesmo já a recomendação.
— De quem é?
— Do senador Xisto.
— Deixe-me ver.
Café leu a carta e lembrou-se de que esse senador tinha concorrido muito para a nomeação dele.
Leu e respondeu:
— Pode ir. Amanhã estará nomeado.
(Sátiras e outras subversões, 2016.)
a) austero.
b) persistente.
c) corruptível.
d) impertinente.
e) inflexível.
(ALBERT EINSTEIN) - QUESTÃO
A depressão, tão em voga em nossos dias quanto foi a histeria nos tempos de Freud, é uma expressão da dor psíquica que desafia todas as pretensões da ciência de programar a vida humana na direção de uma otimização de resultados. Fatia de mercado disputada pelos laboratórios farmacêuticos, os depressivos formam um grupo desunido e incômodo a desafiar, ainda que inadvertidamente, a norma do bem-estar predominante nas sociedades ditas avançadas: estas que se tornaram incapazes de refletir sobre a dor de viver. Estas que, convencidas de que a riqueza se mede pela abundância de mercadorias em circulação, tornaram-se incapazes de tolerar a falta, de criar estéticas para o vazio, de usufruir da lentidão e vislumbrar o saber contido na tristeza.
A experiência da depressão talvez prove que algo no humano resiste à aliança entre tecnologia e publicidade, assim como às novas formas de credo que elas promovem. Do homem, sabemos, a máquina de moer carne capitalista aproveita até o berro: os depressivos, porém, não oferecem nem isso. Os depressivos não berram. Seu silêncio, seu recolhimento, sua falta de interesse por todas as ofertas do gozo em circulação, fazem do depressivo a expressão do sintoma social contemporâneo. O depressivo, como no verso do poeta suicida Torquato Neto, desafina o coro dos contentes nestas primeiras décadas do século XXI. (Adauto Novaes (org.). Mutações, 2008. Adaptado.)
a) os depressivos tornaram-se, ainda que involuntariamente, insensíveis ao próprio sofrimento.
b) as sociedades ditas avançadas demoraram a se desvencilhar da ideia de riqueza enquanto abundância de mercadorias.
c) as sociedades ditas avançadas impuseram a seus cidadãos uma espécie de exigência de bem-estar.
d) os depressivos, ainda que de modo pouco articulado, desafiam os interesses dos laboratórios farmacêuticos.
e) os depressivos, na medida em que buscam se adequar às normas sociais, acabam colaborando para o próprio sofrimento.
(UNESP 2020) - QUESTÃO
Leia o soneto “VII”
Onde estou? Este sítio desconheço:
Quem fez tão diferente aquele prado?
Tudo outra natureza tem tomado,
E em contemplá-lo, tímido, esmoreço.
Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço
De estar a ela um dia reclinado;
Ali em vale um monte está mudado:
Quanto pode dos anos o progresso!
Árvores aqui vi tão florescentes,
Que faziam perpétua a primavera:
Nem troncos vejo agora decadentes.
Eu me engano: a região esta não era;
Mas que venho a estranhar, se estão presentes
Meus males, com que tudo degenera!
(Cláudio Manuel da Costa. Obras, 2002.)
Considerando o contexto histórico-geográfico de produção do soneto, as transformações na paisagem assinaladas pelo eu lírico relacionam-se à seguinte atividade econômica:
a) indústria.
b) extrativismo vegetal.
c) agricultura.
d) extrativismo mineral.
e) pecuária.
(UNESP 2020) - QUESTÃO
Leia o soneto “VII”
Onde estou? Este sítio desconheço:
Quem fez tão diferente aquele prado?
Tudo outra natureza tem tomado,
E em contemplá-lo, tímido, esmoreço.
Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço
De estar a ela um dia reclinado;
Ali em vale um monte está mudado:
Quanto pode dos anos o progresso!
Árvores aqui vi tão florescentes,
Que faziam perpétua a primavera:
Nem troncos vejo agora decadentes.
Eu me engano: a região esta não era;
Mas que venho a estranhar, se estão presentes
Meus males, com que tudo degenera!
(Cláudio Manuel da Costa. Obras, 2002.)
O tom predominante no soneto é de
a) ingenuidade.
b) apatia.
c) ira.
d) ironia.
e) perplexidade.
(SANTA CASA) - QUESTÃO
Leia o texto abaixo para responder as questões (1) e (2).
Às vezes ouvia-se um canto surdo,
que parecia vir debaixo da terra.
Até que os homens da superfície,
para desvendar o mistério,
puseram-se a fazer escavações.
Sim! eram os homens das minas,
que um desabamento ali havia aprisionado.
E ninguém suspeitava da sua existência,
porque já haviam passado três ou quatro gerações!
Mas a luz forte das lanternas não os ofuscou:
eles estavam cegos
– todos, homens, mulheres, crianças.
Eles estavam cegos... e cantavam!
01. (PUC-PR) Os sinais de pontuação são importantes elementos de expressividade em textos de caráter poético. Assim, em “A voz subterrânea”, é CORRETO afirmar que
a) os pontos de exclamação nos versos 6 e 9 têm a mesma finalidade, a saber, rechaçar a incredulidade do autor frente os eventos apresentados.
b) o travessão do verso 12 introduz um diálogo metafórico, por isso pode também ser entendido como um elemento de realce.
c) as reticências do verso 13 pervertem o momento de maior tensão do texto, criando um paradoxo entre as duas orações do mesmo verso.
d) a vírgula do verso 6 possibilita a ordem indireta da oração adjetiva do verso 7, pois introduz uma explicação quando uma restrição era esperada.
d) os dois-pontos usados no verso 10 servem para introduzir uma elucidação sobre a afirmação feita antes desse sinal, no mesmo verso.
02. (PUC-PR) Os acontecimentos descritos por Quintana em seu texto podem ser postos em ordem cronológica pelo leitor: “havia aprisionado” > “ouvia-se” > “puseram-se”. Sobre os tempos verbais dessa relação, é CORRETO afirmar que
a) o pretérito imperfeito do indicativo é o evento mais recente, uma vez que descreve um evento pontual no passado sem duração de tempo.
b) o pretérito perfeito do indicativo representa o evento intermediário, já que denota uma ação cujo acontecimento é duradouro no passado.
c) o pretérito imperfeito do indicativo descreve a ação mais passada em relação às outras duas, porque é o tempo verbal dos eventos contínuos.
d) o pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo veicula o evento mais anterior, pois se refere a uma ação que acontece antes das outras.
e) o pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo tem o mesmo valor do pretérito perfeito do indicativo, dado que indicam simultaneidade.
(PUC PR 2018) - QUESTÃO
Texto para as questões de 01 a 03
- Enxugar as medidas deixou de ser há algum tempo uma questão puramente estética. Desde que a ciência passou a relacionar obesidade à hipertensão, colesterol alto e diabete, entre outros problemas, afinar a cintura virou o alvo de todos aqueles que buscam uma vida saudável. E esse desafio se apresenta com força total ao Brasil. Nos últimos 35 anos, o número de homens com mais de 20 anos acima do peso subiu de 18,5 para 50%, e o de mulheres cresceu de 28,7 para 48%.
- Se nada for feito, em menos de dez anos alcançaremos as mesmas estatísticas de obesidade dos Estados Unidos, um dos primeiros colocados no ranking mundial do problema, mas dá para reverter esse quadro. Exercitar-se 150 minutos por semana, dormir bem e até levar o cachorro para passear são pequenos passos para a grande vitória contra a síndrome do excesso de peso no país. (www.emagrecebrasil.com.br)
(Mackenzie - 2012) - QUESTÃO
a) a progressão temática que constrói forças de tensão entre pecado e salvação.
b) a linguagem musical que sugere os enigmas do mundo onírico do poeta.
c) os aspectos formais, como métrica, cadência e esquema rímico, que refletem o desequilíbrio emocional do eu lírico.
d) a fé incondicional nos desígnios de Deus, única via para o conhecimento verdadeiro e redentor.
e) a força argumentativa de uma poesia com marcas exclusivas de ideais antropocêntricos.
(Mackenzie - 2012) - QUESTÃO
(Mackenzie - 2012) - QUESTÃO
a) Os homens sensatos, tendo prova dos perigos, podem prevê-los e evitá-los.
b) São insensatos os homens que, na esperança de bens maiores, deixam escapar o que têm na mão.
c) Alguns homens, não conseguindo realizar seus negócios por incapacidade, acusam as circunstâncias.
d) Entre os homens, os mentirosos se vangloriam apenas quando não há ninguém para contestá-los.
e) É preciso reconhecer aquele que fez o bem e a esse dar o reconhecimento.