Leia o soneto “Tortura”, da poeta portuguesa Florbela Espanca (1894-1930).
Tirar dentro do peito a Emoção,A lúcida Verdade, o Sentimento!— E ser, depois de vir do coração,Um punhado de cinza esparso ao vento!...Sonhar um verso de alto pensamento,E puro como um ritmo de oração!— E ser, depois de vir do coração,O pó, o nada, o sonho dum momento...São assim ocos, rudes, os meus versos:Rimas perdidas, vendavais dispersos,Com que eu iludo os outros, com que minto!Quem me dera encontrar o verso puro,O verso altivo e forte, estranho e duro,Que dissesse, a chorar, isto que sinto!!
(Florbela Espanca. Sonetos, 2025.)
Contemporânea dos poetas portugueses Fernando
Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, Florbela Espanca
não se filiou a nenhuma escola literária e sua poesia
é considerada de difícil classificação. Considerando
os aspectos formais (gênero poético adotado, métrica
empregada e esquema de rimas), o soneto de Florbela
Espanca aproxima-se do
a) Romantismo.
b) Naturalismo.
c) Realismo.
d) Modernismo.
e) Parnasianismo.
A forma fixa do soneto, a linguagem no padrão formal,
os versos decassílabos e rimados aproximam o texto
de Florbela Espanca do rigor da estética parnasiana,
ainda que o sentido desse poema seja bastante
subjetivo e tenso, como já indica o título Tortura.
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