Nenhum dos filmes que vi, e me divertiram tanto, me
ajudou a compreender o labirinto da psicologia humana
como os romances de Dostoievski - ou os mecanismos
da vida social como os livros de Tolstói e de Balzac, ou
os abismos e os pontos altos que podem coexistir no ser
humano, como me ensinaram as sagas literárias de um
Thomas Mann, um Faulkner, um Kafka, um Joyce ou um
Proust. As ficções apresentadas nas telas são intensas por
seu imediatismo e efêmeras por seus resultados.
Prendem-nos e nos desencarceram quase de imediato,
mas das ficções literárias nos tornamos prisioneiros pela
vida toda. Ao menos é o que acontece comigo. porque,
sem elas, para o bem ou para o mal, eu não seria como
sou, não acreditaria no que acredito nem teria as dúvidas
e as certezas que me fazem viver.
(Mario Vargas Llosa. “Dinossauros em tempos difíceis”.
www.valinor.com.br O Estado de S. Paulo. 1996. Adaptado.)
Segundo o autor sobre cinema e literatura é correto afirmar que
a) a ficção literária é considerada qualitativamente
superior devido a seu maior elitismo intelectual.
b) suas diferenças estão relacionadas sobretudo às
modalidades de público que visam atingir.
c) as obras literárias desencadeiam processos intelectual -
mente e esteticamente formativos.
d) a escrita literária apresenta maior afinidade com os
padrões da sociedade do espetáculo.
e) as duas formas de arte mobilizam processos mentais
imediatos e limitados ao entretenimento.
O texto de Vargas Llosa valoriza as obras literárias
por terem uma temporalidade e uma consistência
artística capaz de formar caracteres; enquanto a
produção cinematográfica promove um impacto
imediato, não formativo.
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