(ENEM 2014) - QUESTÃO (Q 817)

Vida obscura

Ninguém sentiu  o  teu espasmo obscuro
ó ser humilde entre os humildes seres,
embriagado, tonto de prazeres,
o mundo para ti foi negro e duro.

Atravessaste no silêncio escuro
a vida presa a trágicos deveres
e chegaste ao saber de altos saberes
tornando-te mais simples e mais puro.

Ninguém te viu o sofrimento inquieto,
magoado, oculto e aterrador, secreto,
que o coração te apunhalou no mundo,

Mas  eu que sempre te segui os  passos
sei que a cruz infernal prendeu-te os braços
e o teu suspiro como foi profundo!

 (SOUSA, C. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova  Aguilar, 1961)

Com  uma obra  densa e expressiva no Simbolismo brasileiro, Cruz e Souza  transpôs para seu  lirismo uma  sensibilidade em conflito com a realidade  vivenciada. No  soneto, essa percepção traduz-se em

(A)  sofrimento tácito diante  dos  limites impostos  pela  discriminação.

(B) tendência  latente ao  vício como resposta ao isolamento social.

(C) extenuação condicionada  a  uma rotina de  tarefas degradantes.

(D) frustração amorosa canalizada para as atividades intelectuais.

(E) vocação  religiosa  manifesta na  aproximação com a fé  cristã.

_______________________
RESPOSTA: A

A  questão exige  que  o leitor   faça  uma  série de  inferências. A primeira delas é  decorrente do fato de  o estudante  saber  que  o  poeta  Cruz  e  Souza era  negro e  reconhecer no texto as  referências à  sua  cor. É  importante atentar para  a  escolha lexical ao  longo de  todo o poema: “mundo foi  negro”, “silêncio escuro”, “vida obscura”.  O candidato também deve se lembrar  que uma das  principais características  do Simbolismo é a subjetividade, por  meio da qual as  informações  são apenas  sugeridas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

OBRIGADO PELO COMENTÁRIO!