(FUVEST 2013) - QUESTÃO (Q 0293)

V – O samba
À direita do terreiro, adumbra-se* na escuridão um
maciço de construções, ao qual às vezes recortam no
azul do céu os trêmulos vislumbres das labaredas
fustigadas pelo vento.
(...)
É aí o quartel ou quadrado da fazenda, nome que
tem um grande pátio cercado de senzalas, às vezes
com alpendrada corrida em volta, e um ou dois portões
que o fecham como praça d’armas.
Em torno da fogueira, já esbarrondada pelo chão,
que ela cobriu de brasido e cinzas, dançam os pretos o
samba com um frenesi que toca o delírio. Não se
descreve, nem se imagina esse desesperado
saracoteio, no qual todo o corpo estremece, pula,
sacode, gira, bamboleia, como se quisesse desgrudarse.
Tudo salta, até os crioulinhos que esperneiam no
cangote das mães, ou se enrolam nas saias das
raparigas. Os mais taludos viram cambalhotas e
pincham à guisa de sapos em roda do terreiro. Um
desses corta jaca no espinhaço do pai, negro fornido,
que não sabendo mais como desconjuntar-se, atirou
consigo ao chão e começou de rabanar como um peixe
em seco. (...)
José de Alencar, Til.
(*) “adumbra-se” = delineia-se, esboça-se.

Na composição do texto, foram usados, reiteradamente,

I. sujeitos pospostos;
II. termos que intensificam a ideia de movimento;
III. verbos no presente histórico.

Está correto o que se indica em

a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) III, apenas.
d) I e II, apenas.
e) I, II e III.



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RESPOSTA: E
Há diversos casos de sujeitos pospostos no texto (“... adumbra-se... um maciço de construções, ao qual recor tam... os trêmulos vislumbres...”, etc.). A expressão do movimento se faz várias vezes com termos intensificadores (“... dançam os pretos o samba com um frenesi que toca o delírio...”, “... desesperado saracoteio...”, etc.). O trecho todo é narrado com verbos no presente (presente histórico), o que torna o relato mais vivo.

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