(UNESP 2017) - QUESTÃO

Sou imperfeito, logo existo. Sustento que o ser ou é carência ou não é nada. Sustento que uma pessoa com deficiência intelectual é um ser com carências e imperfeições. Sustento que eu, você e ele somos seres com carências e imperfeições. Portanto, concluo que nós, os seres humanos, pelo fato de existir, somos – TODOS – incapazes e capazes intelectualmente. A diferença entre um autista severo e eu é o grau de carência, não a diferença entre o que somos. A “razão alterada” é um tipo de racionalidade diferenciada que considera as pessoas como seres únicos e não categorizados em padrões sociais que agrupam as pessoas por níveis, índices ou coeficientes. 
(Chema Sánchez Alcón. “Crítica de la razón alterada”. http://losojosdehipatia.com.es, 30.10.2016. Adaptado.)

De acordo com o texto, “razão alterada” é 

a) uma racionalidade tradicional voltada à pesquisa filosófica do ser como entidade metafísica. 
b) um conceito científico empregado para legitimar padrões de normalidade com base na biologia. 
c) um conceito filosófico destinado a criticar a valorização da diferença no campo intelectual. 
d) uma metodologia científica que expressa a diferença entre seres humanos com base no coeficiente intelectual. 
e) um tipo de racionalidade contestadora de padrões sociais e dotada de pretensões universalistas.

                                                                                                                             Resposta: E

O texto revela uma antropologia do inacabamento, em que a condição humana é percebida na singularidade existencial, e na qual a imperfeição é valorizada. Trata-se, portanto, de uma racionalidade em oposição às tendências de se criar categorias ou parâmetros universais para entender o ser humano.