duas vertentes assinalavam o panorama da ficção
brasileira: o regionalismo e a reação espiritualista. Sua
obra vai representar uma síntese feliz das duas vertentes.
Como regionalista, volta-se para os interiores do país,
pondo em cena personagens plebeias e “típicas”. Leva a
sério a função da literatura como documento, ao ponto de
reproduzir a linguagem característica daquelas paragens.
Porém, como os autores da reação espiritualista,
descortina largo sopro metafísico, costeando o
sobrenatural, em demanda da transcendência. No que
superou a ambas, distanciando-se, foi no apuro formal,
no caráter experimentalista da linguagem, na erudição
poliglótica, no trato com a literatura universal de seu
tempo, de que nenhuma das vertentes dispunha, ou a que
não atribuíam importância. E no fato de escrever prosa
como quem escreve poesia – ou seja, palavra por palavra,
ou até fonema por fonema.
(Walnice Nogueira Galvão. “Introdução”, 2000. Adaptado.)
Esse comentário refere-se a
a) Guimarães Rosa.
b) Clarice Lispector.
c) Euclides da Cunha.
d) Machado de Assis.
e) Graciliano Ramos.
------------------------------------------------------------------------------------------------------- RESPOSTA: A
O comentário de Walnice Nogueira Galvão refere-se
claramente à prosa poética regionalista de João
Guimarães Rosa. Esse autor aborda a realidade do
interior de Minas Gerais, partindo da linguagem
regional para elaborar código requintado, em que há
temas universais e transcendentes.