[...] historicamente, os quilombos foram comunidades
dinâmicas forjadas não fora, mas dentro da sociedade
escravista; comunidades que simultaneamente
transformaram o mundo no qual todos viviam. As
geografias insurgentes [...] foram claramente baseadas na
existência de laços e práticas econômicas forjadas dentro
da escravidão e motivadas por camaradagem, medo ou
oportunismo.
Nenhum deles expressou uma explícita ideologia
antiescravista, mas suas ações desestabilizaram a
escravidão por dentro. Para os quilombolas, abandonar
seus senhores e trabalhar como pessoas livres diante
dos olhos dos proprietários foi uma forma de rejeitar a
escravidão.
(Yuko Miki. “Fugir para a escravidão: as geografias insurgentes dos
quilombolas brasileiros, 1880-1881”. In: Flávio Gomes e Petrônio
Domingues (orgs.). Políticas da raça: experiências e legados da
abolição e da pós-emancipação no Brasil, 2014.)
O excerto caracteriza a ação dos quilombos no Brasil préabolição como
a) um modelo de organização social igualitária e dotada
de mecanismos que impediam a exploração do homem
pelo homem.
b) uma reação desenvolvida dentro da lógica do sistema
escravista e capaz de evidenciar uma alternativa ao
trabalho compulsório.
c) um esforço claro de mobilizar os escravizados e
articular formas de derrubar o regime monárquico e
escravista.
d) uma prática aceita dentro do sistema escravista e
exemplar da peculiaridade da escravidão pacífica
existente desde o período colonial.
e) um movimento coeso de resistência republicana
e embasado nos valores franceses de igualdade,
liberdade e fraternidade.
De acordo com o excerto, os quilombos se constituíram
como uma forma de resistência ao escravismo, não
por empreenderem uma organização militar de
enfrentamento direto à sociedade escravocrata do
II Reinado, mas por ser um espaço onde negros e
outros membros de grupos subalternizados viviam
e livremente produziam escapando das condições
de trabalho vigentes na sociedade diretamente
controlada pelos homens brancos.
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