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(IGEDUC 2026) - QUESTÃO

Entre os séculos XVI e XIX, o tráfico atlântico integrou o sistema colonial europeu e foi fundamental para a consolidação da economia escravista nas Américas. Milhões de africanos foram forçados à diáspora, compondo redes comerciais que articularam Europa, África e América no chamado comércio triangular. Com base na análise histórica das causas, funcionamento e impactos do tráfico atlântico e da escravidão africana nas Américas, assinale a alternativa CORRETA:
A) A diáspora africana não gerou permanências culturais nas Américas, pois os escravizados foram totalmente assimilados às culturas europeias coloniais.
B) O tráfico integrou o sistema mercantil europeu, sustentou economias coloniais americanas e produziu profundas transformações demográficas e culturais atlânticas.
C) A escravidão africana nas Américas restringiu-se ao trabalho doméstico urbano, sem inserção nas economias de plantation exportadoras coloniais.
D) A escravidão africana foi prontamente abolida no século XVI por pressão humanitária das metrópoles coloniais europeias cristãs.
E) O tráfico atlântico foi organizado majoritariamente por reinos africanos autônomos, sem participação decisiva das potências coloniais europeias mercantilistas.

(ENEM 2020) - QUESTÃO

Porque todos confessamos não se poder viver sem alguns escravos, que busquem a lenha e a água, e façam cada dia o pão que se come, e outros serviços que não são possíveis poderem-se fazer pelos Irmãos Jesuítas, máxime sendo tão poucos, que seria necessário deixar as confissões e tudo mais. Parece me que a Companhia de Jesus deve ter e adquirir escravos, justamente, por meios que as Constituições permitem, quando puder para nossos colégios e casas de meninos.
LEITE, S. História da Companhia de Jesus no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1938 (adaptado).

O texto explicita premissas da expansão ultramarina portuguesa ao buscar justificar a
a) propagação do ideário cristão.
b) valorização do trabalho braçal.
c) adoção do cativeiro na Colônia.
d) adesão ao ascetismo contemplativo.
e) alfabetização dos indígenas nas Missões.

(ENEM - 2018) - QUESTÃO

A poetisa Emília Freitas subiu a um palanque, nervosa, pedindo desculpas por não possuir títulos nem  conhecimentos, mas orgulhosa ofereceu a sua pena que “sem ser hábil, é, em compensação, guiada pelo poder da vontade”. Maria Tomásia pronunciava orações  que levantavam os ouvintes. A escritora Francisca Clotilde arrebatava, declamando seus poemas. Aquelas  “angélicas senhoras”, “heroínas da caridade”, levantavam  dinheiro para comprar liberdades e usavam de seu entusiasmo a
fim de convencer os donos de escravos a  fazerem alforrias gratuitamente. 
MIRANOA, A. Disponível em: www.opovoonline.com.br. Acesso em: 10 jun. 2015.
 
As práticas culturais narradas remetem, historicamente, ao movimento 

a) feminista.
b) sufragista.
c) socialista.
d) republicano.
e) abolicionista. 

(ENEM 2016) - QUESTÃO

Quando a Corte chegou ao Rio de Janeiro, a Colônia tinha acabado de passar por uma explosão populacional. Em pouco mais de cem anos, o número de habitantes aumentara dez vezes. 
GOMES, L. 1808: como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma Corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a história de Portugal e do Brasil. São Paulo: Planeta do Brasil, 2008 (adaptado).

A alteração demográfica destacada no período teve como causa a atividade 

a) cafeeira, com a atração da imigração europeia. 
b) industrial, com a intensificação do êxodo rural. 
c) mineradora, com a ampliação do tráfico africano. 
d) canavieira, com o aumento do apresamento indígena. 
e) manufatureira, com a incorporação do trabalho assalariado.

________________________________________ RESPOSTA: C

(UFPA 2012) - QUESTÃO

Leia com atenção o documento abaixo:

[...] as povoações que os escravos fugidos fazem nos Mattos, a que naquele Estado chamam Mocambos, e no Brasil Quilombos em todo tempo foram muito prejudiciais às fazendas dos moradores, não só pela destruição que fazem nas culturas, mas por agregarem a si outros escravos, que convidados da liberdade da vida, e isenção de senhorio desamparam as mesmas fazendas, e associados uns com outros cometem todo gênero de insultos [...]

(Consulta do Conselho Ultramarino para o rei D. João V, sobre a carta dos oficiais da Câmara da cidade de Belém do Pará, sobre a conveniência de se proceder à escolta militar dos mocambos, durante a captura dos índios e escravos negros fugidos dos seus Donos, AHU, cx. 31, doc. 2977).

O documento refere-se à resistência escrava no Estado do Grão-Pará e Maranhão, onde as comunidades organizadas por escravos fugitivos eram denominadas de mocambos. Com base na leitura do documento, é correto afirmar:

(A) A diferença de denominação com relação às comunidades organizadas pelos escravos no Estado do Grão-Pará e Maranhão e no Estado do Brasil devia-se ao fato de que nos Mocambos se reuniam exclusivamente índios e nos Quilombos, exclusivamente negros, embora com o mesmo objetivo: resistir à colonização.
(B) As comunidades organizadas por escravos fugitivos acabavam por se tornar postos avançados da colonização portuguesa na Amazônia, e, paradoxalmente, garantias do domínio luso na região, já que funcionavam como “muralhas do sertão”, ou seja, como barreiras à penetração de estrangeiros.
(C) Nos mocambos ou quilombos, os escravos fugitivos montavam um sistema de produção agrícola de excedente, com o objetivo de fazer comércio com as cidades vizinhas, o que os tornava concorrentes dos colonos, cuja sobrevivência dependia da venda de sua produção às populações urbanas.
(D) No Estado do Grão-Pará e Maranhão, os mocambos constituíam-se em espaços de socialização de um grande contingente de despossuídos, formado por índios, negros, mestiços e homens brancos pobres, que neles
construíam uma identidade de interesses e passavam a desenvolver estratégias de resistência coletiva.
(E) A excessiva violência dos portugueses na destruição dos mocambos pode ser justificada pela ameaça que essas comunidades representavam para o domínio luso na região, devido à presença nestas de estrangeiros clandestinos, principalmente provenientes da França, de onde fugiam das perseguições movidas por Napoleão.

RESPOSTA: D