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(UNESP 2020) - QUESTÃO

  Leia o soneto “VII”

Onde estou? Este sítio desconheço:

Quem fez tão diferente aquele prado?

Tudo outra natureza tem tomado,

E em contemplá-lo, tímido, esmoreço.

Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço

De estar a ela um dia reclinado;

Ali em vale um monte está mudado:

Quanto pode dos anos o progresso!

Árvores aqui vi tão florescentes,

Que faziam perpétua a primavera:

Nem troncos vejo agora decadentes.

Eu me engano: a região esta não era;

Mas que venho a estranhar, se estão presentes

Meus males, com que tudo degenera!

(Cláudio Manuel da Costa. Obras, 2002.)

O eu lírico recorre ao recurso expressivo conhecido como hipérbole no verso: 

a) “Quem fez tão diferente aquele prado?” (1ª estrofe) 

b) “E em contemplá-lo, tímido, esmoreço.” (1ª estrofe) 

c) “Quanto pode dos anos o progresso!” (2ª estrofe) 

d) “Que faziam perpétua a primavera:” (3ª estrofe) 

e) “Árvores aqui vi tão florescentes,” (3ª estrofe)

(SANTA CASA) - QUESTÃO

Leia a crônica “Analfabetismo”, de Machado de Assis
Gosto dos algarismos, porque não são de meias medidas nem de metáforas. Eles dizem as coisas pelo seu nome, às vezes um nome feio, mas não havendo outro, não o escolhem. São sinceros, francos, ingênuos. As letras fizeram-se para frases: o algarismo não tem frases, nem retórica. 
Assim, por exemplo, um homem, o leitor ou eu, querendo falar do nosso país dirá: 
— Quando uma Constituição livre pôs nas mãos de um povo o seu destino, força é que este povo caminhe para o futuro com as bandeiras do progresso desfraldadas. A soberania nacional reside nas Câmaras; as Câmaras são a representação nacional. A opinião pública deste país é o magistrado último, o supremo tribunal dos homens e das coisas. Peço à nação que decida entre mim e o Sr. Fidélis Teles de Meireles Queles; ela possui nas mãos o direito a todos superior a todos os direitos. 
A isto responderá o algarismo com a maior simplicidade: 
— A nação não sabe ler. Há só 30% dos indivíduos residentes neste país que podem ler; desses uns 9% não leem letra de mão. 70% jazem em profunda ignorância. Não saber ler é ignorar o Sr. Meireles Queles: é não saber o que ele vale, o que ele pensa, o que ele quer; nem se realmente pode querer ou pensar. 70% dos cidadãos votam do mesmo modo que respiram: sem saber por que nem o quê. Votam como vão à festa da Penha, — por divertimento. A Constituição é para eles uma coisa inteiramente desconhecida. Estão prontos para tudo: uma revolução ou um golpe de Estado. 
Replico eu: 
— Mas, Sr. Algarismo, creio que as instituições… 
— As instituições existem, mas por e para 30% dos cidadãos. Proponho uma reforma no estilo político. Não se deve dizer: “consultar a nação, representantes da nação, os poderes da nação”; mas — “consultar os 30%, representantes dos 30%, poderes dos 30%”. A opinião pública é uma metáfora sem base: há só a opinião dos 30%. Um deputado que disser na Câmara: “Sr. Presidente, falo deste modo porque os 30% nos ouvem…” dirá uma coisa extremamente sensata. 
E eu não sei que se possa dizer ao algarismo, se ele falar desse modo, porque nós não temos base segura para os nossos discursos, e ele tem o recenseamento. 
15 de agosto de 1876. 
(Crônicas escolhidas de Machado de Assis, 1994.)

O texto é organizado com base em uma figura de linguagem. Trata-se 
a) do pleonasmo. 
b) da hipérbole. 
c) da personificação. 
d) da metonímia. 
e) do eufemismo.

(PASUSP) - QUESTÃO

Lei o texto a seguir. 

(...) CORINTHIANS (2) vs. PALESTRA (1)

(...) Delírio futebolístico no Parque Antártica.
Camisas verdes e calções negros corriam, pulavam, chocavam-se, embaralhavam-se, caíam, contorcionavam-se, esfalfavam-se, brigavam. Por causa da bola de couro amarelo que não parava, que não parava um minuto, um segundo. Não parava.
— Neco! Neco!
Parecia um louco. Driblou. Escorregou. Driblou.
Correu.
Parou. Chutou.
— Gooool! Gooool!
Miquelina ficou abobada com o olhar parado.
Arquejando.
Achando aquilo um desaforo, um absurdo.
Aleguá-guá-guá! Aleguá-guá-guá! Hurra! Hurra!
Corinthians!
Palhetas subiram no ar. Com os gritos. Entusiasmos rugiam. Pulavam. Dançavam. E as mãos batendo nas bocas:
— Go-o-o-o-o-o-ol!
Antônio de Alcântara Machado. Brás, Bexiga e Barra Funda e outros contos, 1997.

Metonímia é a figura de linguagem que consiste no emprego de um termo por outro, havendo sempre uma relação entre os dois. A relação pode ser de causa e efeito, de continente e conteúdo, de autor e obra ou da parte pelo todo. Assinale a alternativa em que essa figura ocorre: 

a) Achando aquilo um desaforo. 
b) Miquelina ficou abobada com o olhar parado. 
c) E as mãos batendo nas bocas. 
d) Calções negros corriam, pulavam. 
e) Palhetas subiram no ar.

(UNESP 2019) - QUESTÃO

Em “Copérnico era, sem dúvida, um revolucionário conservador”, a expressão sublinhada constitui um exemplo de 

a) eufemismo. 
b) pleonasmo. 
c) hipérbole. 
d) metonímia. 
e) paradoxo.

(UNIFESP - 2017) - QUESTÃO

Leia o poema “Dissolução”, de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), que integra o livro Claro enigma, publicado originalmente em 1951.

Escurece, e não me seduz
tatear sequer uma lâmpada.
Pois que aprouve¹
 ao dia findar,
aceito a noite.

E com ela aceito que brote
uma ordem outra de seres
e coisas não figuradas.
Braços cruzados.

Vazio de quanto amávamos,
mais vasto é o céu. Povoações
surgem do vácuo.
Habito alguma?

E nem destaco minha pele
da confluente escuridão.
Um fim unânime concentra-se
e pousa no ar. Hesitando.

E aquele agressivo espírito
que o dia carreia²
 consigo,
já não oprime. Assim a paz,
destroçada.

Vai durar mil anos, ou
extinguir-se na cor do galo?
Esta rosa é definitiva,
ainda que pobre.

Imaginação, falsa demente,
já te desprezo. E tu, palavra.
No mundo, perene trânsito,
calamo-nos.
E sem alma, corpo, és suave.
(Claro enigma, 2012.)
¹aprazer: causar ou sentir prazer; contentar(-se). ²carrear: carregar.

Personificação: recurso expressivo que consiste em atribuir propriedades humanas a uma coisa, a um ser inanimado ou abstrato. (Dicionário Porto Editora da Língua Portuguesa. www.infopedia.pt. Adaptado.) 

Verifica-se a ocorrência desse recurso no seguinte verso: 

A) “Vazio de quanto amávamos,” (3ª estrofe) 
B) “E nem destaco minha pele” (4ª estrofe) 
C) “Esta rosa é definitiva,” (6ª estrofe) 
D) “Pois que aprouve ao dia findar,” (1ª estrofe) 
E) “No mundo, perene trânsito,” (7ª estrofe)

---------------------------------------------------------------------------------- RESPOSTA: D

(FAMEMA 2017) - QUESTÃO

Assinale a alternativa em que ocorre um pleonasmo. 

A) “Dirão que as histórias que aqui relato são meras alucinações de contos de fada” 
B) “em sua labuta para adoçar as mazelas do povo” 
C) “trago notícias urgentes de um reino distante” 
D) “o que digo são coisas que tenho visto com os olhos que esta mesma terra um dia há de comer” 
E) “Os habitantes desta terra já tiraram todos os poderes do rei” 

________________________________________ RESPOSTA: D

(FEI-SP/2014) - QUESTÃO

Há em “O amigo: um ser que a vida não explica” exemplo de: 

A) metonímia 
B) comparação 
C) personificação 
D) ironia 
E) eufemismo

RESPOSTA: C

(FAAP 2016) - QUESTÃO

 Leia o texto: 

“Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que a asa da graúna, e mais longos que seu talhe de palmeira. O favo da jati não era doce como seu sorriso; nem a baunilha recendia no bosque como seu hálito perfumado.” 

O fragmento acima elabora-se estilisticamente com figuras de linguagem caracterizadoras do estilo poético de Alencar e apresenta, predominantemente, as seguintes figuras de linguagem: 

a) antíteses e hipérboles. 
b) comparações e antíteses. 
c) metáforas e comparações. 
c) pleonasmos e metáforas. 
e) metonímias e prosopopeias.

RESPOSTA: C