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(UNESP 2017) - QUESTÃO

De um lado, dizem os materialistas, a mente é um processo material ou físico, um produto do funcionamento cerebral. De outro lado, de acordo com as visões não materialistas, a mente é algo diferente do cérebro, podendo existir além dele. Ambas as posições estão enraizadas em uma longa tradição filosófica, que remonta pelo menos à Grécia Antiga. Assim, enquanto Demócrito defendia a ideia de que tudo é composto de átomos e todo pensamento é causado por seus movimentos físicos, Platão insistia que o intelecto humano é imaterial e que a alma sobrevive à morte do corpo. 
(Alexander Moreira-Almeida e Saulo de F. Araujo. 
“O cérebro produz a mente?: um levantamento da opinião de psiquiatras”. 
www.archivespsy.com, 2015.)

A partir das informações e das relações presentes no texto, conclui-se que 

a) a hipótese da independência da mente em relação ao cérebro teve origem no método científico. 
b) a dualidade entre mente e cérebro foi conceituada por Descartes como separação entre pensamento e extensão. 
c) o pensamento de Santo Agostinho se baseou em hipóteses empiristas análogas às do materialismo. 
d) os argumentos materialistas resgatam a metafísica platônica, favorecendo hipóteses de natureza espiritualista. 
e) o progresso da neurociência estabeleceu provas objetivas para resolver um debate originalmente filosófico.

                                                                                                                             Resposta: B

(UNESP 2017) - QUESTÃO

Todas as vezes que mantenho minha vontade dentro dos limites do meu conhecimento, de tal maneira que ela não formule juízo algum a não ser a respeito das coisas que lhe são claras e distintamente representadas pelo entendimento, não pode acontecer que eu me equivoque; pois toda concepção clara e distinta é, com certeza, alguma coisa de real e de positivo, e, assim, não pode se originar do nada, mas deve ter obrigatoriamente Deus como seu autor; Deus que, sendo perfeito, não pode ser causa de equívoco algum; e, por conseguinte, é necessário concluir que uma tal concepção ou um tal juízo é verdadeiro. (René Descartes. “Vida e Obra”. Os pensadores, 2000.) 

Sobre o racionalismo cartesiano, é correto afirmar que 

a) sua concepção sobre a existência de Deus exerceu grande influência na renovação religiosa da época. 
b) sua valorização da clareza e distinção do conhecimento científico baseou-se no irracionalismo. 
c) desenvolveu as bases racionais para a crítica do mecanicismo como método de conhecimento. 
d) formulou conceitos filosóficos fortemente contrários ao heliocentrismo defendido por Galileu. 
e) se tratou de um pensamento responsável pela fundamentação do método científico moderno.

(ENEM 2016) - QUESTÃO

Nunca nos tornaremos matemáticos, por exemplo, embora nossa memória possua todas as demonstrações feitas por outros, se nosso espírito não for capaz de resolver toda espécie de problemas; não nos tornaríamos filósofos, por ter lido todos os raciocínios de Platão e Aristóteles, sem poder formular um juízo sólido sobre o que nos é proposto. Assim, de fato, pareceríamos ter aprendido, não ciências, mas histórias. 
DESCARTES. R. Regras para a orientação do espírito. São Paulo: Martins Fontes.1999. 

Em sua busca pelo saber verdadeiro, o autor considera o conhecimento, de modo crítico, como resultado da 

a) investigação de natureza empírica. 
b) retomada da tradição intelectual. 
c) imposição de valores ortodoxos. 
d) autonomia do sujeito pensante. 
e) liberdade do agente moral.

_________________________________________ RESPOSTA: D

(UEL-PR 2016) - QUESTÃO

Leia o texto a seguir. Há já algum tempo eu me apercebi de que, desde meus primeiros anos, recebera muitas falsas opiniões como verdadeiras, e de que aquilo que depois eu fundei em princípios tão mal assegurados não podia ser senão mui duvidoso e incerto; de modo que me era necessário tentar seriamente, uma vez em minha vida, desfazer-me de todas as opiniões a que até então dera crédito, e começar tudo novamente desde os fundamentos, se quisesse estabelecer algo de firme e de constante nas ciências. 
(DESCARTES, R. Meditações. São Paulo: Abril Cultural, 1978. p.93.)

O desejo de evitar o erro, o caos e buscar a certeza, a ordem, por meio de um método de conhecimento, são marcas distintivas da modernidade. A respeito do problema do conhecimento e do método em René Descartes, assinale a alternativa correta. 

a) A decisão de tentar desfazer-se das opiniões duvidosas e incertas ampara-se em uma revelação divina, pois, ao pensar, o homem encontra Deus na origem do próprio pensamento, sendo Ele a primeira certeza fundadora da ciência. 
b) A dúvida é uma espécie de afecção episódica que toma conta dos que pensam demasiadamente no problema dos fundamentos do conhecimento, mas cuja concepção e prática possuem uma importância limitada. 
c) A dúvida metódica pretendia inviabilizar a metafísica, uma vez que certezas científicas e verdades metafísicas, além de possuírem âmbitos de vigência distintos, também dizem respeito a domínios excludentes do conhecimento. 
d) O método é um procedimento por meio do qual os dados da experiência são acolhidos, tratados cientificamente e, após o processo de depuração e de crítica, são recolocados em sua relação com o mundo, transformando nossos juízos. 
e) A decisão inaugural a ser radicalizada pela dúvida, tornada metódica, por meio da qual surgirá a certeza, é o ponto de partida da crítica à tradição, seja na figura dos conhecimentos incertos ou das falsas opiniões

RESPOSTA: E