Nesta obra, o autor optou por uma situação narrativa que
se define pelo movimento de aproximação e distanciamento
da substância sensível da realidade retratada, como forma
de solidarizar-se com seus personagens e, ao mesmo tempo,
sustentar uma posição crítica rigorosa ante a “desgraça irremediável
que os açoita”. Relativiza, assim, a onisciência da
terceira pessoa e reconstitui, pela via literária, o hiato entre
seu saber de intelectual e a indigência dos retirantes – alteridade
que buscou compreender pelo exercício artístico da
palavra enxuta e medida. Com a cautela de quem não se
permite explicitar significados ou avançar conclusões, o narrador
condiciona a narração à expectativa dos personagens,
através do uso intensivo do discurso indireto livre, que dá forma
à sondagem interior pretendida e singulariza os destinos
representados.
(Wander Melo Miranda. “Texto introdutório”. In: Silviano Santiago (org).
Intérpretes do Brasil, vol 2, 2000. Adaptado.)
Tal comentário aplica-se à obra
A) Morte e vida severina, de João Cabral de Melo Neto.
B) Os sertões, de Euclides da Cunha.
C) Vidas secas, de Graciliano Ramos.
D) Capitães da Areia, de Jorge Amado.
E) Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa.
---------------------------------------------------------------------------------- RESPOSTA: C
» Resposta comentada
O estilo de Graciliano Ramos caracteriza-se pela
objetividade, concisão e precisão estilística. Em Vidas
Secas, a seca é a “desgraça irremediável” que atinge os
retirantes, num mutismo que exige o emprego do
discurso indireto livre. A onisciência do narrador
permite o conhecimento do interior das personagens e,
também, viabiliza a narrativa, já que a comunicação
verbal entre a família é quase inexistente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
OBRIGADO PELO COMENTÁRIO!