Aquilo não era uma campanha, era uma charqueada. Não
era a ação severa das leis, era a vingança. Dente por dente.
Naqueles ares pairava, ainda, a poeira de Moreira César,
queimado; devia-se queimar. Adiante, o arcabouço decapitado
de Tamarindo; devia-se degolar. A repressão tinha dois
pólos – o incêndio e a faca... Ademais, não havia temer-se o
juízo tremendo do futuro. A História não iria até ali.
(Euclides da Cunha, Os Sertões.)
Essa passagem do livro
(A) revela a preocupação que os protagonistas de ambos os
lados tinham com relação às implicações políticas de
suas ações.
(B) denuncia mais do que a crueldade de ambos os lados, o
sentimento de impunidade entre as forças da repressão.
(C) mostra que ambos os lados em luta estavam determinados
a destruir o adversário para não deixar provas de sua
conduta.
(D) critica veladamente a ausência de interesse por parte da
opinião pública e da imprensa com relação ao episódio
relatado.
(E) indica que o autor, por acompanhar de longe os acontecimentos,
deixou-se levar por versões que exageraram
a crueldade da repressão.
________________________
O texto transcrito faz referência ao sentimento de
impunidade das forças governamentais apenas nas
últimas linhas. O que prevalece nas palavras de
Euclides, no entanto, é a descrição do desejo de vingar
os mortos da terceira expedição contra Canudos,
comandada pelos coronéis Moreira César e Tamarindo,
chacinados pelos sertanejos.
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